Testosterona feminina: o que faz no corpo e quando repor?

Quando se fala em testosterona, muita gente pensa automaticamente em homens. Mas sim: a testosterona feminina também existe e participa de várias funções importantes do organismo.

Para a mulher 40+, principalmente durante a menopausa e climatério, entender esse hormônio pode ajudar a separar o que é uma mudança natural do corpo do que merece uma avaliação médica.

E esse assunto é cada vez mais relevante, inclusive segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, em 2019, 74,5% das mulheres brasileiras com 45 anos ou mais que não haviam retirado o útero declararam estar na menopausa, o equivalente a 24,3 milhões de mulheres (à época).

O que é testosterona feminina?

A testosterona feminina é um hormônio produzido em pequenas quantidades pelo organismo da mulher, principalmente pelos ovários e glândulas adrenais, além de ser formada a partir de outros hormônios. Apesar de estar presente em níveis menores que nos homens, ela participa do funcionamento sexual, muscular e metabólico.

Sua deficiência é capaz de ocasionar consequências ruins. Aliás, alguns dos sintomas desagradáveis da menopausa têm relação com a queda do hormônio.

Os níveis de testosterona podem mudar ao longo da vida e sofrer influência da idade, menopausa, medicamentos e outras condições. Por isso, não existe uma regra simples do tipo “mulher acima de 40 anos precisa repor”.

A avaliação precisa considerar o conjunto de sintomas, histórico e condições individuais.

O que a testosterona faz no corpo da mulher?

A testosterona participa de mecanismos relacionados ao desejo sexual, à manutenção da massa muscular e à saúde óssea. Ela também atua em diferentes tecidos por meio de seus receptores e pode ser convertida em outros hormônios, mostrando que sua atuação no organismo feminino é mais complexa do que parece.

Mas é importante não colocar toda a responsabilidade sobre a testosterona. Sono ruim, estresse, alterações do estrogênio, medicamentos, problemas emocionais, ansiedade e outras questões também podem afetar energia, humor e libido.

Quais os benefícios da testosterona para a mulher?

Quando a ginecologista investiga e entende que há necessidade, a testosterona pode ter papel especialmente relevante na função sexual. As evidências mais consistentes apontam benefício para mulheres pós-menopausa com diagnóstico de transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH). Isso não significa que a testosterona feminina seja um hormônio da juventude, por exemplo. Não há comprovação suficiente para recomendar testosterona com o objetivo de emagrecer, ganhar músculos, melhorar a aparência ou prevenir o envelhecimento.

Além da função sexual, a testosterona é responsável por algumas funções no organismo feminino, como:

  • Disposição;
  • Efeito cardioprotetor;
  • Auxilia no humor;
  • Ajuda na capacidade cognitiva.

O que acontece se a testosterona feminina está baixa?

A redução dos andrógenos (queda gradual e parcial dos níveis de testosterona associada ao envelhecimento) pode acontecer ao longo da vida e, principalmente, no contexto das mudanças hormonais da menopausa. Algumas mulheres podem perceber menor interesse sexual, redução da resposta sexual ou mudanças na disposição, mas esses sintomas não significam automaticamente deficiência de testosterona. É justamente por isso que não basta olhar para um resultado de laboratório: a FEBRASGO destaca que não existe um ponto de corte de testosterona no sangue capaz de definir, sozinho, “deficiência androgênica” em mulheres.

Principais sintomas na queda dos níveis de testosterona feminina

Alguns sintomas podem indicar quando há queda nos níveis de testosterona:

  • Redução e até perda do desejo sexual;
  • Falta de orgasmo ou dificuldade para chegar ao clímax;
  • Baixa autoestima;
  • Mudanças na composição corporal e massa muscular;
  • Redução da massa óssea;
  • Ganho de peso com facilidade;
  • Humor oscilando, com sintomas de desânimo, irritabilidade, dificuldade de concentração e outros.

O uso de anticoncepcional reduz os níveis de testosterona?

Alguns anticoncepcionais hormonais alteram a disponibilidade dos andrógenos, inclusive por mudanças na globulina responsável por interligar hormônios sexuais (SHBG). Em determinadas mulheres, isso pode estar relacionado a mudanças na libido.

Porém, não dá para afirmar que todo anticoncepcional provoca queda clinicamente relevante da testosterona feminina ou que ele deva ser interrompido por conta própria. Anticoncepcionais não orais, como o adesivo, o subcutâneo e outros, não elevam a produção de SHBG.

A escolha do método contraceptivo precisa considerar idade, histórico, objetivos e características da mulher.

Quando o excesso (testosterona alta) é um problema?

Testosterona em excesso pode resultar em acne, aumento de pelos, queda de cabelo e alterações menstruais. Em níveis muito elevados, existem chances de manifestações de virilização, como engrossamento da voz e aumento do clitóris. Ou seja, usar testosterona por conta própria é uma péssima ideia.

Existe uma divulgação conjunta entre SBEM, FEBRASGO e SBC alertando para riscos que podem incluir alterações metabólicas, cardiovasculares e efeitos virilizantes, alguns potencialmente irreversíveis.

Como medir os níveis da testosterona em mulheres?

A avaliação normalmente envolve exames laboratoriais, principalmente a testosterona total, mas o resultado precisa ser interpretado dentro de um contexto clínico. A testosterona isolada não deve ser utilizada como se fosse um teste de deficiência para decidir automaticamente pela reposição.

As diretrizes internacionais também destacam que não existe um nível sanguíneo específico que diagnostique TDSH. A avaliação tem que considerar sintomas e outros fatores físicos, psicológicos e relacionais.

Qual o nível normal de testosterona feminino?

Cada mulher tem o seu organismo, então não existe um único valor que possa ser considerado normal para todas elas. Os níveis variam conforme idade e o ciclo menstrual, sendo considerados normais valores que vão de cerca de 12 a 60 ng/dL para testosterona total, dependendo do laboratório.

Mais importante do que perseguir um número é entender o quadro completo. A FEBRASGO reforça que não há ponto de corte sérico capaz de definir deficiência androgênica feminina.

Quando a reposição de testosterona na mulher é indicada?

Hoje, a indicação de testosterona na mulher com melhor respaldo científico é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres na pós-menopausa. Isso só depois de uma avaliação cuidadosa e da investigação de outras possíveis causas para a redução da libido.

Pode-se dizer que sentir cansaço, dificuldade para emagrecer ou perceber mudanças no corpo depois dos 40 anos não significa que seja hora de usar testosterona.

A decisão deve ser individualizada e feita por uma ginecologista experiente.

E quando não é indicada?

A testosterona em mulheres não deve ser utilizada simplesmente para emagrecimento, aumento de massa muscular, ganho de disposição, rejuvenescimento ou fins estéticos. Esses usos não possuem comprovação suficiente e podem expor a mulher a riscos desnecessários. Também não é recomendado iniciar o tratamento com base apenas em um exame alterado. A prescrição sem indicação e sem acompanhamento pode levar a concentrações acima da faixa fisiológica e aumentar a chance de efeitos adversos.

Como funciona a reposição de testosterona em mulheres?

O tratamento deve buscar uma dose adequada para a mulher, evitando níveis elevados. Aqui fica evidente a necessidade de acompanhamento e indicação médica.

A escolha da via e da formulação depende 100% da ginecologista médica e deve ser acompanhada ao longo do tratamento. Esse acompanhamento serve para observar resposta, possíveis efeitos colaterais e necessidade de ajuste ou interrupção.

Diretrizes internacionais recomendam manter concentrações dentro da faixa fisiológica feminina e não recomendam preparações que produzam níveis suprafisiológicos (concentrações do hormônio no organismo que ultrapassam consideravelmente o limite máximo natural ou saudável).

Riscos do uso inadequado de testosterona na mulher

Usar testosterona sem indicação pode causar acne, aumento de pelos, queda de cabelo, alterações menstruais e outros efeitos relacionados ao excesso de andrógenos. Em situações mais graves, podem ocorrer alterações como engrossamento da voz e aumento do clitóris.

Níveis elevados de testosterona aumentam o risco de trombose, infarto do miocárdio e AVC.

E mais: as entidades médicas brasileiras também alertam para possíveis repercussões hepáticas, metabólicas e psicológicas quando há uso inadequado.

Mais testosterona definitivamente não significa “mais saúde”.

Testosterona na mulher e queda de libido: entenda a relação

A relação existe, mas é muito mais complexa do que parece e nem sempre está relacionada. A testosterona participa da função sexual feminina e pode ajudar algumas mulheres com TDSH na pós-menopausa, mas libido baixa também pode estar relacionada ao estrogênio, ressecamento vaginal, dor, medicamentos, estresse, sono, autoestima e relacionamento.

Por isso, tratar somente o hormônio talvez não resolva a questão. A investigação deve olhar para a mulher como um todo, principalmente quando a queixa aparece durante o climatério ou a menopausa.

Qual o valor do Implante de Testosterona feminino?

Na Clínica Torras, os implantes de testosterona variam de R$ 3.000 a R$ 5.000, considerando a avaliação e a indicação individual. O valor é apenas uma referência e deve ser confirmado durante a consulta.

É importante lembrar que preço não deve ser o principal critério para escolher um tratamento hormonal. A indicação, a segurança, a formulação e o acompanhamento médico são fundamentais, especialmente porque o uso de testosterona em mulheres precisa seguir critérios clínicos muito bem definidos.

Ginecologista especialista em reposição hormonal com testosterona

Mesmo que a mulher madura não deva aceitar toda mudança hormonal como algo que natural da idade, não pode sair repondo hormônios por conta própria. O melhor caminho é entender o que está acontecendo e avaliar as possibilidades de tratamento, claro, com uma profissional experiente.

Na Clínica Torras, a Dra. Fernanda Torras atua com foco na saúde da mulher, climatério e menopausa, fazendo uma avaliação individual àquelas que apresentam alterações hormonais e desejam entender melhor suas opções de tratamento.

A consulta é o primeiro passo para descobrir se existe realmente indicação para reposição de testosterona feminina.

Agende sua avaliação com a Dra. Fernanda Torras hoje mesmo.

 

Fontes: