DIU de cobre, prata ou hormonal: qual o mais indicado, afinal?

O Dispositivo Intra-Uterino, conhecido como DIU, é um método contraceptivo que apesar de uma maior procura nos últimos tempos, ainda é motivo de muitas dúvidas entre as mulheres.

A falta de informação é uma das principais razões que justificam a desistência das brasileiras pela escolha do DIU. Por exemplo, acreditar que é abortivo ou que pode deixar uma mulher, que ainda não teve filho, infértil.

Apesar da sua eficiência maior frente a outros contraceptivos (eficácia superior a 99% – no caso do diu hormonal), o DIU é a preferência de quase 2% das mulheres em idade fértil no Brasil contra aproximadamente 25% na Europa, ou seja, temos muito para crescer.

Nesse artigo vou buscar responder a perguntas mais frequentes que ouço no consultório das minhas pacientes.

Tire suas dúvidas – a seguir os mitos e verdades sobre o DIU:

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O que é DIU?

O DIU significa dispositivo intra-uterino e é um método contraceptivo que consiste na utilização de uma haste maleável em forma de “T” que, através da liberação de hormônios ou outras substâncias (como o Cobre e a Prata) no útero, evita a fertilização dos ovócitos pelos espermatozoides.

Tipos de DIU

Existem, basicamente, três tipos de DIU: de cobre, de prata e o hormonal. Eles possuem funcionamentos distintos entre si, assim como a sua composição, garantindo que cada mulher possa encontrar o melhor modelo.
Com relação a tamanho, além do DIU padrão – existe o Mini DIU que pode ser utilizado por mulheres com úteros reduzidos ou aquelas que nunca tiveram filhos.

DIU de cobre

O DIU de Cobre libera pequenas quantidades de cobre no útero, causando algumas alterações no endométrio e processo inflamatório local, incompatíveis com sobrevida dos espermatozoides e implantação para gestação. Possui boa eficácia quando bem posicionado no útero, e o efeito colateral mais frequente é o aumento do fluxo menstrual. Ele pode permanecer no corpo de 5 a 10 anos.

DIU de Prata

O DIU de Prata une prata e cobre no mesmo dispositivo, e produz o mesmo efeito local para espermatozoides e implantação. Porém, a prata faz com que o fluxo menstrual seja menor em comparação com o DIU de Cobre isolado e a prata diminui o risco de oxidação da parte de cobre, aumentando a eficácia do método contraceptivo.

DIU hormonal (SIU)

DIU Hormonal ou Medicado, também conhecido como SIU – sistema intra uterino: Esse dispositivo tem como mecanismo a liberação intrauterina de progesterona, que provoca alteração do muco cervical, alteração da motilidade das tubas uterinas e alteração do endométrio, tecido de dentro do útero. Estes mecanismo somam eficácia na contracepção e taxa de sucesso semelhante a laqueadura tubária.
O DIU hormonal pode ser usado como tratamento em casos de mioma, endometriose, adenomiose, chegando a poupar até 70% das cirurgias.

DIU hormonal

DIU hormonal

DIU de cobre

DIU de cobre

Quem pode usar o DIU?

Todas as mulheres em todas as fases reprodutivas são aptas a utilizarem o DIU, desde que não tenham qualquer outra restrição indicada por um profissional ginecologista – entre elas infecções uterinas importantes, malformação uterina que impeça a anatomia do órgão, câncer de colo em atividade e distúrbios de coagulação.

Para se certificar de que você não possui nenhum desses problemas antes de usar o dispositivo, é possível fazer alguns exames. Deve-se primeiramente passar por uma análise ginecológica clínica, em que uma série de contraindicações já podem ser afastadas. O papanicolau e o ultrassom transvaginal também são recomendados para uma análise mais profunda da situação do órgão e das suas condições de saúde.

Como colocar o DIU?

Uma ginecologista é a pessoa mais indicar para colocar o DIU. O colocação do DIU leva poucos minutos quando o procedimento é realizado por um profissional experiente. O DIU pode ser introduzido no próprio consultório do profissional de ginecologia. Se necessário é aplicada uma anestesia local, sendo comum sentir um desconforto leve, como uma cólica, durante o processo. Entretanto, na consulta prévia se identificado uma dor for intensa ou houver qualquer obstrução ao trajeto do DIU, o processo pode ser realizado em um centro cirúrgico, contando com o apoio de um anestesiologista e sedação.

É recomendado também que a mulher fique em repouso no dia do procedimento, evitando carregar peso ou realizar atividades sexuais. É possível voltar à rotina normalmente já no dia seguinte.

Efeitos colaterais do DIU

O efeito mais comum, que já é normalmente esperado após a colocação do DIU, é o sangramento irregular de baixa intensidade, podendo ser controlado com o uso de medicamentos anti-inflamatórios.

No DIU de cobre, é esperado também o aumento do fluxo menstrual, devido ao processo inflamatório causado dentro do útero. O problema também pode ser contornado com o uso de medicamentos.

O DIU Mirena, nos seis primeiros meses de uso, faz uma liberação local e também sistêmica da progesterona. Isso não causa efeitos colaterais importantes, mas pode ocasionar em piora da acne, inchaços nos pés e na barriga e uma queda de cabelo transitória. Todos esses efeitos são contornados com o uso de medicação paralela.

Uma vez dentro do útero, ele é imperceptível tanto no seu dia a dia quanto nas relações sexuais.

Tempo de validade de uso do DIU

O DIU não hormonal pode ser usado de 5 a 10 anos, enquanto o DIU Mirena pode ser usado por até 5 anos.

Essa variação de tempo de validade está relacionada a liberação da progesterona, no caso do DIU Mirena, e do Cobre, no caso do DIU não hormonal.

Inserção de DIU pós-parto

Se você passou por uma gestação e deseja colocar o DIU, o recomendado é esperar o período de quarentena. O útero leva em média 42 dias para voltar ao tamanho normal e se recuperar da gestação. Após esse período já é possível posicionar o dispositivo sem qualquer dano de perfuração ou de expulsão do material.

Os dois modelos diferentes também não afetam na amamentação.

Infecção uterina: quais são os riscos com o DIU e como se prevenir?

O DIU pode aumentar os riscos de infecção no útero, porém é possível tomar alguns cuidados para se prevenir deste problema.

A partir do momento que já existem bactérias dentro do útero que geram uma infecção, o DIU pode ser colonizado por esses microorganismos, criando as condições propícias para a sua existência no trato genital.

Para evitar isso, é muito importante que os exames antes de implantar o DIU sejam feitos adequadamente, além de seguir um acompanhamento e todas as orientações do seu profissional ginecologista.

DIU x Trombose

Ao contrário das pílulas contraceptivas, o DIU não aumenta os riscos de trombose. Na verdade, ele é um dos métodos mais indicados para as mulheres que já possuem uma propensão a ter esse tipo de problema.

Engravidando após retirar o DIU

O DIU não causa infertilidade permanente com o uso. Após o momento de retirada do dispositivo, a mulher já se encontra apta a engravidar – no caso do DIU de Cobre. Já no DIU Mirena, pode ser que demore até uns 3 meses para que a camada que recebe o embrião se recupere.

DIU e as DSTs

Para a sua maior segurança e manutenção da sua saúde, é muito importante que o DIU seja utilizado em conjunto com os preservativos, sejam eles masculinos ou femininos. Isso porque ele não previne contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis, como HIV, sífilis, hepatite, entre outras, sendo indicado apenas como um método contraceptivo.

Portanto, faça o uso do preservativo em todas as suas relações sexuais (vaginal, oral e anal).

Porque escolher o DIU como método contraceptivo

A escolha do melhor método anticoncepcional deve estar sempre nas mãos da mulher, que saberá quais são as suas principais necessidades e restrições.
Para quem busca um alto índice de eficiência, ele é uma ótima alternativa à laqueadura tubária (superior a 99% de eficácia) e traz alguns benefícios combinados, como a redução do fluxo menstrual – para o DIU Hormonal, e o tratamento de algumas doenças, como a endometriose. E o DIU também é reversível.

Valor do DIU: qual o preço para colocar o DIU?

Algumas pessoas têm a ideia de que o DIU tem um preço elevado. No entanto, ele apresenta um excelente custo-benefício.

O modelo de cobre, por exemplo, pode ser encontrado a partir de R$ 100. Já a opção de DIU Hormonal, o custo fica entre R$ 600 e R$ 1.200. Porém, é necessário contabilizar também o valor do procedimento de inserção – que cada médico pode ter um valor diferente.

A alta eficiência e durabilidade do DIU fazem com que ele se classifique como econômico.