O que é a síndrome urogenital da menopausa?

Ressecamento, ardência, dor na relação e infecções urinárias frequentes podem ter relação com a menopausa. Leia para entender a síndrome urogenital da menopausa e tratamentos que ajudam.

Menopausa não é apenas sobre os famosos calorões já que, para muitas mulheres, principalmente depois dos 40 ou 50 anos de vida, as mudanças hormonais também aparecem na região íntima e podem trazer ressecamento, ardência, dor durante o sexo e até alterações urinárias. Esse conjunto de sintomas é chamado de síndrome urogenital da menopausa.

E essa não é uma queixa rara: a atrofia vulvovaginal, que faz parte da síndrome, pode atingir entre 36% e quase 90% das mulheres na peri e pós-menopausa. No Brasil, estima-se cerca de 17 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos vivendo o climatério.

O que é a síndrome urogenital da menopausa?

A síndrome urogenital da menopausa é definida por um conjunto de alterações que ocorre principalmente por causa da redução do estrogênio. Essa queda atinge diretamente tecidos da vulva, vagina, uretra e bexiga, deixando uma camada bem mais fina, menos elástica e com menor lubrificação.

E aqui vai um ponto importante: não é certo simplesmente achar que é “normal da idade” e por isso a mulher precisa aceitar. A tendência é que a síndrome geniturinária da menopausa continue e até piore com o passar dos anos quando não tratada, e isso afeta a vida sexual, o conforto no dia a dia e a qualidade de vida.

Causas da síndrome urogenital da menopausa

A mais comum é a queda dos níveis de estrogênio durante o climatério e, principalmente, após a menopausa, pois, quanto menos estrogênio, a mucosa vaginal fica mais fina, o pH aumenta, a lubrificação diminui e a elasticidade dos tecidos é reduzida.

Isso explica o porquê uma mulher madura que nunca teve problemas íntimos pode começar a sentir desconforto depois da menopausa. Cirurgias que retiram os ovários, alguns tratamentos contra o câncer e outras situações que reduzem o estrogênio também ajudam a favorecer o surgimento dos sintomas.

Quais são os sintomas da síndrome urogenital da menopausa?

Os sintomas não são os mesmo para todas, enquanto algumas sentem apenas um ressecamento discreto, outras passam a ter dor nas relações ou problemas urinários recorrentes.

Entre os sinais mais comuns:

  • Ressecamento vaginal;
  • Ardência ou irritação;
  • Coceira;
  • Menor lubrificação;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Urgência ou aumento da frequência urinária;
  • Ardência ao urinar;
  • Infecções urinárias recorrentes.

Dados da FEBRASGO apontam ressecamento vaginal em cerca de 55% das mulheres com sintomas de atrofia genital, dor na relação em 44% e irritação genital em 37%. O impacto sobre a função sexual é um tanto alarmante, chegando a 59%.

Riscos e consequências da atrofia epitelial na vagina

Quando há diminuição de estrogênio, o tecido vaginal fica mais fino e menos resistente. Isso aumenta a sensibilidade, provoca pequenas lesões e torna a relação sexual desconfortável ou dolorosa.

Algumas mulheres também podem apresentar sangramento após a relação, que sempre merece avaliação médica.

Além disso, as alterações não ficam restritas à vagina, uma vez que a síndrome geniturinária da menopausa também pode envolver uretra e bexiga, favorecendo casos de urgência urinária, aumento da frequência para urinar e infecções urinárias de repetição.

Como o diagnóstico pode ser realizado?

O diagnóstico da síndrome urogenital da menopausa costuma ser clínico.

Durante a consulta, a ginecologista conversa sobre os sintomas, histórico de saúde, medicamentos, vida sexual e alterações urinárias, além de realizar o exame ginecológico quando indicado. Em alguns casos, podem ser utilizados recursos complementares, como avaliação do pH vaginal. O mais importante é não tentar diagnosticar a síndrome apenas por um exame isolado: a avaliação dos sintomas e do exame físico é fundamental para diferenciar a condição de infecções e outras doenças.

As etapas prováveis para o diagnóstico seguem:

  • Anamnese;
  • Exame físico;
  • Exclusão de causas;
  • Medição do pH (o pH vaginal frequentemente se apresenta elevado (acima de 5,0) devido à falta de estrogênio);
  • Exames de sangue (dosagens hormonais não são necessárias apenas para confirmar a síndrome).

Como tratar síndrome geniturinária da menopausa?

De acordo com a intensidade dos sintomas, do histórico da paciente e de suas preferências, o tratamento é indicado. Em casos leves, lubrificantes e hidratantes podem ajudar bastante; quando os sintomas são persistentes ou mais intensos, o estrogênio vaginal deve ser uma das principais opções.

Lembrando que a avaliação individual é indispensável, principalmente para quem tem histórico de câncer, doenças cardiovasculares ou outras condições que possam modificar a escolha do tratamento.

Laser de CO₂ íntimo

O laser de CO₂ fracionado é uma das tecnologias até aqui estudadas para melhorar sintomas relacionados à atrofia vaginal. A proposta do laser íntimo é estimular alterações no tecido vaginal e melhorar algumas queixas, como ressecamento e desconforto. A FEBRASGO reconhece resultados promissores, mas também destaca que os estudos ainda são pequenos.

Hidratantes e lubrificantes íntimos

Os hidratantes vaginais são usados com frequência para ajudar no ressecamento, enquanto os lubrificantes são especialmente úteis durante a relação sexual, servndo para reduzir o atrito e o desconforto.

Para sintomas leves, essas alternativas são consideradas opções iniciais.

Terapia de reposição hormonal tópica (transdérmica)

É importante diferenciar terapia local de terapia transdérmica. A terapia hormonal local vaginal utiliza hormônios diretamente na região íntima, enquanto a via transdérmica, como adesivos ou géis, é absorvida pela pele e tem ação sistêmica.

Para sintomas predominantemente geniturinários, a terapia vaginal pode ser bastante interessante porque atua diretamente no tecido afetado.

A escolha deve ser feita pela ginecologista conforme cada caso.

Terapia de reposição hormonal

A terapia hormonal sistêmica é indicada quando a mulher tem outros sintomas da menopausa, como ondas de calor e alterações do sono, além das queixas geniturinárias. Ela também pode ajudar nos sintomas vaginais.

Porém, quando a única queixa é a síndrome urogenital da menopausa, a terapia vaginal é mais direcionada.

Moduladores seletivos do receptor estrogênico (SERMs)

Os SERMs são medicamentos que atuam seletivamente nos receptores de estrogênio e podem ser considerados em situações específicas de sintomas geniturinários. Eles não funcionam da mesma maneira em todos os tecidos do organismo. A indicação depende da disponibilidade do medicamento, do perfil da paciente e da avaliação médica. Portanto, não é uma opção para ser escolhida por conta própria.

Tratamento com Promestrieno

O promestrieno é um estrogênio de uso local que pode ser utilizado no tratamento de sintomas relacionados à atrofia vaginal. Entre as opções de terapia vaginal disponíveis no Brasil, a FEBRASGO cita promestrieno, estriol e 17-beta-estradiol.

A vantagem do tratamento local é atuar diretamente sobre os tecidos que apresentam as alterações provocadas pela redução do estrogênio.

Quando procurar uma especialista em menopausa?

Se você começou a sentir sintomas como ressecamento, ardência, dor durante o sexo, sangramento após a relação ou infecções urinárias repetidas, não é para simplesmente conviver com isso. Esses sintomas podem estar relacionados à síndrome urogenital da menopausa e, como citado neste conteúdo, existem opções de tratamento.

Também vale procurar ajuda quando o desconforto começa a interferir no sono, na autoestima ou nas atividades do dia a dia. Quanto antes a mulher conversar sobre o assunto, mais fácil encontrar uma estratégia adequada.

Dra. Fernanda Torras: especialista em síndrome urogenital da menopausa

A mulher madura passa por muitas transformações depois dos 40 anos, e cuidar da saúde íntima também faz parte dessa fase. Ressecamento, dor e alterações urinárias não são normais ou uma espécie de “preço” da menopausa.

A Dra. Fernanda Torras tem opções de tratamentos, além de direcionar o seu trabalho à saúde da mulher no climatério e menopausa, com avaliação individualizada para entender sintomas e possibilidades de tratamento.

Agende sua avaliação com a Dra. Fernanda Torras hoje mesmo e acabe com a suspeita de síndrome urogenital da menopausa.

Fontes: